Bernardo Sousa com José António Marques no Rally de Lisboa 2022 (Foto: Felisberto Nóbrega)

Bernardo Sousa regressou aos ralis, e logo com uma vitória. Não era isso o mais importante, mas sim o próprio regresso em si, e as perspetivas são sorridentes para o futuro, embora admita que tem muito que trabalhar para conseguir estar no CPR em 2023.
Depois de ter feito 5 provas em 2021, pelo meio teve a passagem pelo ‘BB Famosos’, programa que venceu atirando-o para um patamar de reconhecimento público que nos ralis é muito mais difícil de conseguir: “O ‘bichinho’ estava adormecido, mas sim, continuo a sentir paixão pelos ralis. Não tem a ver com a vitória, mas por todo este ambiente, a interação com os meus colegas de profissão, todo este ambiente mantém-nos vivos, o entrar no carro, 5,4,3, meteres 1ª, o momento do arranque todo aquele foco, para teres a performance no máximo, estava lá tudo, agora é surgirem novas oportunidades e mais oportunidades”, começou por dizer. Em jeito de desafio, perguntámos se está convicto que vai conseguir e estar para o ano no CPR: “vontade tenho, a oportunidade, mereço, eu em conjunto com o Zé Pedro (Fontes) e a Sports & You estamos a trabalhar bastante para conseguir montar um projeto desse calibre, para poder lutar pelo CPR”, disse, falando depois de toda as pessoas que agora o seguem, de toda a atenção, perguntamos-lhe se tem sido uma surpresa? “Nunca procurei fama, não gosto da fama, sou muito reservado, quem me conhece sabe isso, gosto de ter os meus momentos e isto assusta-me um bocadinho. Desta interação, assusta-me um pouco mas cabe-me a mim fazer ver às pessoas o que podem fazer nos momentos dos ralis, oferecem-me coisas, cartas bilhetes, brindes, etc, eu percebo isso, e podem achar má educação, ou arrogância, mas nós temos regras a cumprir não podemos receber nada das outras pessoas, portanto eu vou ter esse trabalho de explicar que não podemos receber coisas, mas voltando à questão não esperava tanto, tinha noção que pudesse haver alguma procura das pessoas, as pessoas virem ter comigo, mas mas não tinha a ideia que podia ser assim tanta ‘loucura’ e viu-se que houve muita gente a viver o rali por causa do programa, e isso é bom para todos nós, obviamente eu tenho um bocado mais de destaque, mas vai-se falar de ralis que é o que a gente gosta e se falarem de ralis vai trazer mais pessoas, mais público, mais patrocínios, mais tudo para toda a gente, e isso é que é o importante. Todos ganham!
É preciso agora é capitalizar isto, não cometer erros, não fazer asneiras, não banalizar o desporto, não andar a fazer loucuras nas ligações, definir muito bem às pessoas o que são ralis, o que são tunings, o que são abusadores e o que são profissionais. Vou tentar ao máximo fazer essa ‘instrução’ às pessoas, até porque se as pessoas gostarem os ralis lucram com isto. Compete-me a mim ter um papel mais ativo…embaixador dos ralis, e todos ganhamos com isso”
, disse, falando também no que viveu na prova: “já cá tinha vindo há muito tempo, quando o Humberto (Silva) ainda pensava que troços fazer no Rali (ndr, antes da edição de 2021) e quando vi o que havia disse-lhe logo que tinha ali uma pérola. E agora que passei com o carro em prova, ainda mais, e sem dúvida esta prova tem capacidade para estar no Campeonato de Portugal de Ralis”, disse Bernardo Sousa.

Texto: José Luís Abreu (AutoSport.pt)